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3.9.15

sinais ambivalentes

Transformar é o que a arte faz, mas a fotografia que testemunha o que foi uma calamidade ou o que é repreensível será muito criticada se parecer «estética»; ou seja, se se parecer demasiado com a arte. O duplo poder da fotografia - gerar documentos e criar obras de arte visual - originaram alguns notáveis exageros quanto àquilo que os fotógrafos devem ou não fazer. Ultimamente, o exagero mais comum é o que encara estes dois poderes como opostos. As fotografias que representam sofrimento não deviam ser belas, assim como as legendas não deviam moralizar. Segundo esta ideia, a beleza de uma fotografia desvia a a tenção da seriedade do tema e foca-a no meio utilizado, pondo desse modo em causa o estatuto da fotografia como documento. A fotografia envia sinais ambivalentes. «Parem com isto», apela. Mas exclama também: «Que espectáculo!»

Olhando o Sofrimento dos Outros, Susan Sontag

2.9.15

Será?


As fotografias atrozes não perdem inevitavelmente a sua capacidade de chocar. Mas não são de grande ajuda quando o que se pretende é compreender. As fotografias fazem outra coisa: perseguem-nos.

Olhando o Sofrimento dos Outros, Susan Sontag

29.7.15

Olhando o sofrimento dos outros (i)

2

Ser espectador de calamidades que se passam noutro país é uma experiência moderna quintessencial, a oferta cumulativa de mais de século e meio destes turistas profissionais, especializados, a que se chama «jornalistas». As guerras são agora também imagens e sons de sala de estar. A informação sobre o que está a acontecer noutro sítio, a que se dá o nome de «notícias», sublinha o conflito e a violência - If it bleeds, it leads [Se há baixas, há cachas»], reza a provecta divisa dos tabloides e dos programas noticiosos de 24 horas - que recebem em resposta compaixão, ou indignação, ou excitação, ou aprovação, à medida que cada notícia vai surgindo.

[cont.]


Susan Sontag, Olhando o Sofrimento dos Outros, Editora Quetzal, 2015, p. 25


12.5.15

«Colecionar fotos é colecionar o mundo.»

Leio Susan Sontag, Sobre Fotografia (edição brasileira Companhia das Letras), e surge-me Peeping Tom (1960), um excelente filme de Michael Powell. Gostei de relembrá-lo.