O político engana o rato,
Cujas dentadas são rançosas
Naquela ferida de aloé.
O sol está no armário.
O sol está no armário.
Aquele criado desfaz o esqueleto,
E talha a mama científica.
Luz através do retrato.
Sombra através do retrato.
O anão da cave, irado
Como o arminho, periscopeia
A relojoaria da lua.
O vigário no seu jogo
Desenrola o fio de pesca,
Espera um charco nivelado.
Sombra através do armário.
1952
Mostrar mensagens com a etiqueta Harold Pinter. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Harold Pinter. Mostrar todas as mensagens
26.11.15
24.11.15
Nota sobre Shakespeare
O erro deles, o erro em que a maior parte deles cai, é tentar calcular e determinar, com a mais fina aparelhagem, a origem da ferida.
Procuram, com a devida tenção, os espaços entre a aparência e o vazio que dela depende. Vão ao encontro da ferida com deferência, um bisturi, uma agulha e uma linha. Logo à entrada do bisturi, alarga-se o espaço. Com a utilização da agulha e da linha, a ferida coagula e atrofia-se-lhe nas mãos.
Shakespeare escreve pela ferida aberta e, por ele, sabemos quando está aberta e quando está fechada. Somos capazes de dizer quando pára de bater e dizê-la no ponto mais alto da febre.
Várias Vozes, Harold Pinter, ed. Quasi
Subscrever:
Mensagens (Atom)