Isso que queima e que se torna lânguido um momento depois de ter desligado, como se diz o instante que vivemos antes da notícia da morte, tudo o que acontece entre os silêncios.
Como chamamos ao espaço que fica na esfera da caneta sem tinta? Como se chama o filho que não tenho, o livro que me livraria daquele funesto amor? -Como se diz quando se ama assim?- Como se diz isso que nos falta, agora mesmo, amanhã, isso que falta e sempre falta um dia antes, noutro sitio, noutro quarto?
Isso que perseguimos toda uma vida em vão, essa pequena estafa que nos move e seduz e obriga a continuar, cegos, loucos e sós.