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20.6.15

 - (...) Eu sei o que isso é. A pessoa procura esquecer, mas não dá resultado. O que tem a fazer é, pelo contrário, acolher com amabilidade os pensamentos desagradáveis.
- Que diz você, Mike?
- Lembre-se de tudo quanto possa, do princípio até ao fim. De cada vez que isso chegue, faça a mesma coisa, sem nada omitir. Depressa tudo se gasta, desaparecendo aos bocados, até nada ficar.

[John Steinbeck, O Inverno do Nosso Descontentamento, ed. «Livros do Brasil» Lisboa]


10.6.15

[Ethan Hawley, em resposta a Mr. Baker, um banqueiro, que quase o apelida de cobarde, por não aplicar as suas economias (na verdade, herança da mulher, porque as suas já as perdeu há muito em investimentos), para deixar de ser empregado na loja, que outrora foi sua.]


«- Os homens não se deixam prostrar. Eles podem bater-se contra grandes coisas. É a erosão que os mata. São atraídos pelos reveses. Pouco a pouco, têm medo. Eu tenho medo. A companhia de electricidade de Long Island pode cortar a corrente. Minha mulher precisa de vestidos. Os meus filhos de sapatos e divertimentos. E imagine que eles não possam estudar? E os pagamentos do fim do mês, o médico, o dentista, a operação às amígdalas. E se, ainda por cima, eu adoecesse e me tornasse incapaz de varrer este passeio? Evidentemente, o senhor não pode compreender. Eu odeio o meu trabalho, e tremo à ideia de perdê-lo.» 

[John Steinbeck, O Inverno do Nosso Descontentamento, ed. «Livros do Brasil» Lisboa]