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24.1.15

«devolve-me o coração»

In the desert
I saw a creature, naked, bestial,
Who, squatting upon the ground,
Held his heart in his hands,
And ate of it.
I said, “Is it good, friend?”
“It is bitter—bitter,” he answered;

“But I like it
“Because it is bitter,
“And because it is my heart.”

[Stephen Crane, The Black Riders and Other Lines]

-//-

No deserto
vi uma criatura nua, brutal,
que de cócoras na terra
tinha o seu próprio coração
nas mãos, e comia...
Disse-lhe: «É bom, amigo?»
«É amargo -- respondeu --,
amargo, mas gosto
porque é amargo
e porque é o meu coração.»

[Herberto Helder, As Magias: Poemas Mudados Para Português, Assírio & Alvim, p. 35] 

21.1.15

O Salva Vidas

Um lugar dentro deste bote não era muito diferente do que estar em cima de um cavalo bravo que, diga-se, não é muito mais pequeno. A embarcação erguia-se, empinava-se e lançava-se como um animal. À medida que cada onda se aproximava e ele se elevava, parecia um cavalo a saltar por cima de uma vedação altíssima. A maneira como se contorcia através destas paredes de água era algo místico e, para além disso, era por cima destas que se encontravam os problemas na água branca, a espuma que escorria com rapidez em cima de cada onda, exigindo um novo salto e um outro no ar.

[O Salva Vidas, Stephen Crane, Estrofes & Versos, p. 7]