15.11.15
14.11.15
Paris, je t'aime.
![]() |
| Jean-Philippe Charbonnier, Les Amourex, Paris, 1950 |
Así habían empezado a andar por un París fabuloso, dejándose llevar por los signos de la noche, acatando itinerarios nacidos de una frase de clochard, de una bohardilla iluminada en el fondo de una calle negra, deteniéndose en las placitas confidenciales para besarse en los bancos o mirar las rayuelas, los ritos infantiles del guijarro y el salto sobre un pie para entrar en el Cielo.
O fanatismo...
...é a morte da conversa. Não se consegue tagarelar com um candidato a mártir. Que dizer a alguém que se recusa a compreender os nossos argumentos e que, a partir do momento em que não nos inclinamos perante os seus, preferiria morrer a ceder? Antes os diletantes e os sofistas que, pelos menos, participam em todos os argumentos...
Do inconveniente de ter nascido, de E. M. Cioran, p. 104.
* * *
CAPÍTULO 62
1. Na cave do Elijah-o-impossível havia um mapa do mundo inteiro.
2. Para mim, olhar para ele era uma oração.
3. Uma oração que era do tamanho do mundo inteiro.
4. Quando cheguei a casa, fiz a mala, pus as minhas roupas lá dentro, a roupa interior, os sapatos, toalhas, o bilhete de autocarro de Houston (será que daria para viajar?), e peguei nela e andei pelo meu quarto.
5. Era uma viajante.
* * *
Mar - Enciclopédia da Estória Universal, de Afonso Cruz, p. 72
1. Na cave do Elijah-o-impossível havia um mapa do mundo inteiro.
2. Para mim, olhar para ele era uma oração.
3. Uma oração que era do tamanho do mundo inteiro.
4. Quando cheguei a casa, fiz a mala, pus as minhas roupas lá dentro, a roupa interior, os sapatos, toalhas, o bilhete de autocarro de Houston (será que daria para viajar?), e peguei nela e andei pelo meu quarto.
5. Era uma viajante.
* * *
Mar - Enciclopédia da Estória Universal, de Afonso Cruz, p. 72
13.11.15
Libya, Where Art Thou?*
![]() |
| /Dawn at Tripoli, Libya, photo © Naziha Arebi/ |
It’s so hard to get informed about Libya these days. It’s like Libya doesn’t exist for the mainstream media. Not even a glimpse of life there, not even a small peek. Where are you Libya, how are you?
*(cont.)
10.11.15
«Isso irrita-me imenso. Como se estivesse na nossa mão dominar a doença, o que faz com que as pessoas que morrem sejam culpadas disso.»*
Obrigada ao Plúvio, que partilhou no seu blog uma ligação para a entrevista da revista Sábado a Maria Filomena Mónica.
*resposta dada no seguimento da observação de Dulce Garcia: No livro Imortalidade, Christopher Hitchens revolta-se contra a ideia de que a força de vontade é fundamental para superar o cancro.
Olhe, preciso de dinheiro
![]() |
| Aoki Tetsuo |
Olhe, preciso de dinheiro.
Preciso de muito dinheiro. Quero abrir um negócio.
Algo meu, sabe como é. Estou farto de patrões.
Não posso passar a minha vida atrás de um balcão.
A levar todas as noites com a baba dos perdidos nas trombas.
Já não tenho paciência.
Com esta idade, já viu o que é.
Sujeitar-se a todos os labregos.
Já tentei noutros bancos, sim.
Pedi também aos meus pais, é verdade;
disse-lhes que era para me casar.
Não, não tenho casa, nem automóvel.
Mas, olhe, posso garantir com o meu corpo.
O meu fígado, senhor, tem que ver o meu fígado.
É fígado de motard. Isto parece encolhido e tal,
mas anda a mil.
E adiantado, não pode pagar nada como entrada?
Entrada, não sei.
Só se for o coração.
Golgona Anghel, Como uma flor de plástico na montra de um talho (Assírio & Alvim, 2013)
6.11.15
3.11.15
Domador de Caracóis
Quando for grande, quero ser
domador de caracóis.
É muito perigoso
-diz a mãe.
E pastor de libelinhas?
As libelinhas pastam na frescura do rio.
Sabes nadar sobre a água?
-diz a mãe.
Serei médico das árvores, é mais seguro.
Onde fica o coração das árvores?
-diz a mãe.
Vou aprender a arte de colecionar nuvens.
Choram muito...
-diz a mãe.
Sílvio, Domador de Caracóis, de Francisco Duarte Mangas
domador de caracóis.
É muito perigoso
-diz a mãe.
E pastor de libelinhas?
As libelinhas pastam na frescura do rio.
Sabes nadar sobre a água?
-diz a mãe.
Serei médico das árvores, é mais seguro.
Onde fica o coração das árvores?
-diz a mãe.
Vou aprender a arte de colecionar nuvens.
Choram muito...
-diz a mãe.
Sílvio, Domador de Caracóis, de Francisco Duarte Mangas
MESA
É apenas mais um dia na terra, dizes, e apresso-me de encontro
à menoridade de todos os começos: lírica, escura, pressurosa
métrica tomada de assalto pela luz de Inverno sobre
o vidro da mesa.
Depois da Música, de Luís Quintais
à menoridade de todos os começos: lírica, escura, pressurosa
métrica tomada de assalto pela luz de Inverno sobre
o vidro da mesa.
Depois da Música, de Luís Quintais
1.11.15
31.10.15
«Baleia Branca»
«Um dos meus passatempos favoritos é caçar baleias brancas. Desde que li Moby Dick que consigo ver cachalotes em muitos lugares e consigo perceber que também sou um bocadinho Ahab, que também tenho algumas monomanias. Tem a sua ciência, caçar baleias, pois é uma actividade exegética e sujeita a inúmeras interpretações, já que um cetáceo metafórico não se esgota facilmente. Saber ou conhecer é matar com um arpão, é destruir a selvajaria do desconhecido e torná-la objecto de museu. Moby Dick é cheio de metáforas e não me parece que a sua leitura possa ser fruída sem que o leitor saia do livro a coxear um pouco da alma como Ahab coxeava a andar com a sua perna de pau. Dantes, tinha o hábito de dobrar as pontas das páginas dos livros onde encontrava frases que valia a pena serem arpoadas*. Moby Dick é o livro que tenho com mais pontas de páginas dobradas, algo que não passa de mais uma forma de caçar baleias.»
(Hemingway, sobre Moby Dick) in Mar - Enciclopédia da Estória Universal -, de Afonso Cruz, p. 16
*eu também...
30.10.15
28.10.15
26.10.15
«Guia para viajar pelas florestas do sentido»
O que é o caminho?
anúncio de partida
escrito em folhas que o pó desenhou.
O que é a árvore?
lagoa verde cujas ondas são o vento.
O que é o vento?
alma que não quer
habitar o corpo.
O que é a morte?
carro que leva
do útero da mulher
ao útero da terra.
O que é a lágrima?
guerra perdida pelo corpo.
O que é o desespero?
descrição da vida na língua da morte.
O que é o horizonte?
espaço que se move sem parar.
O que é a coincidência?
fruto na árvore do vento
caindo entre as mãos
sem se saber.
O que é o não sentido?
doença que mais se propaga.
O que é a memória?
casa habitada só
por coisas ausentes.
O que é a poesia?
navios que navegam, sem portos.
O que é a metáfora?
asa aliviando
no peito das palavras.
O que é o fracasso?
musgo boiando no lago da vida.
O que é a surpresa?
pássaro
que escapou da gaiola da realidade.
O que é a história?
cego a tocar tambor.
O que é a sorte?
dado
na mão do tempo.
O que é a linha reta?
soma de linhas tortas
invisíveis.
O que é o umbigo?
meio caminho
entre
dois paraísos.
O que é o tempo?
veste que usamos
sem poder tirar.
O que é a melancolia?
anoitecer
no espaço do corpo.
O que é o sentido?
início do não sentido
e seu fim.
[Adonis, Poemas]
25.10.15
esta noite, que é como quem diz, agora.
O que eu desejava, realmente, era ir, esta noite, morrer à tua porta. Mas mora lá tanta gente que tu podias pensar que eu não tinha morrido à tua porta. Se ao menos o teu quarto tivesse uma varanda. Ou se praticasse a técnica da transferência e vivesse as imagens da substituição… ou se sinceramente amasse a minha analista. Não sublimo os desejos por incapacidade. E recalco mais este. Não posso, como desejava realmente, ir morrer à tua porta. Fico a gemer. Se, ao menos, tu morresses!
Linha de Linho, Vila Real, 1983
24.10.15
«Como se diz isso que não perdura?»
Isso que queima
e que se torna lânguido
um momento depois de ter desligado,
como se diz o instante que vivemos
antes da notícia da morte,
tudo o que acontece entre os silêncios.
Como chamamos
ao espaço que fica na esfera
da caneta sem tinta?
Como se chama o filho que não tenho,
o livro que me livraria
daquele funesto amor?
-Como se diz quando se ama assim?-
Como se diz isso que nos falta,
agora mesmo,
amanhã, isso que falta e sempre falta
um dia antes, noutro sitio, noutro
quarto?
Isso que perseguimos toda uma vida em vão,
essa pequena estafa que nos move
e seduz e obriga a continuar,
cegos, loucos e sós.
23.10.15
carta a Oskar Pollak, de 27 de Janeiro de 1904
em português do Brasil:
No fim das contas, penso que devemos ler somente livros que nos mordam e piquem. Se o livro que estamos lendo não nos sacode e acorda como um golpe no crânio, por que nos darmos o trabalho de lê-lo? Para que nos faça feliz, como diz você? Seríamos felizes da mesma forma se não tivéssemos livros. Livros que nos façam felizes, em caso de necessidade, poderíamos escrevê-los nós mesmos. Precisamos é de livros que nos atinjam como o pior dos infortúnios, como a morte de alguém que amamos mais do que a nós mesmos, que nos façam sentir como se tivéssemos sido banidos para a floresta, longe de qualquer presença humana, como um suicídio. É nisso que acredito.
no idioma de Sua Majestade:
Altogether, I think we ought to read only books that bite and sting us. If the book we are reading doesn’t shake us awake like a blow to the skull, why bother reading it in the first place? So that it can make us happy, as you put it? Good God, we’d be just as happy if we had no books at all; books that make us happy we could, in a pinch, also write ourselves. What we need are books that hit us like a most painful misfortune, like the death of someone we loved more than we love ourselves, that make us feel as though we had been banished to the woods, far from any human presence, like suicide. A book must be the axe for the frozen sea within us. That is what I believe.
o original:
Ich glaube, man sollte überhaupt nur solche Bücher lesen, die einen beißen und stechen. Wenn das Buch, das wir lesen, uns nicht mit einem Faustschlag auf den Schädel weckt, wozu lesen wir dann das Buch? Damit es uns glücklich macht, wie Du schreibst? Mein Gott, glücklich wären wir eben auch, wenn wir keine Bücher hätten, und solche Bücher, die uns glücklich machen, könnten wir zur Not selber schreiben. Wir brauchen aber die Bücher, die auf uns wirken wie ein Unglück, das uns sehr schmerzt, wie der Tod eines, den wir lieber hatten als uns, wie wenn wir in Wälder verstoßen würden, von allen Menschen weg, wie ein Selbstmord, ein Buch muß die Axt sein für das gefrorene Meer in uns. Das glaube ich.
[quem me conhece sabe da minha predilecção pelas idiossincrasias do tradutor, os seus dilemas morais.]
21.10.15
moeda de troca*
ALMA
I.
Inquilina del cuerpo
sin contrato de alquiler
II.
Esencia irrenunciable
del ser
III.
Moneda de cambio
[Itziar Mínguez Arnáiz, Wikipoemia]
* culpa da Cuca, a Pirata
I.
Inquilina del cuerpo
sin contrato de alquiler
II.
Esencia irrenunciable
del ser
III.
Moneda de cambio
[Itziar Mínguez Arnáiz, Wikipoemia]
* culpa da Cuca, a Pirata
19.10.15
por estes dias...
É preciso casar João,
é preciso suportar António,
é preciso odiar Melquíades,
é preciso substituir nós todos.
É preciso salvar o país,
é preciso crer em Deus,
é preciso pagar as dívidas,
é preciso comprar um rádio,
é preciso esquecer fulana.
É preciso estudar volapuque,
é preciso estar sempre bêbedo,
é preciso ler Baudelaire,
é preciso colher as flores
de que rezam velhos autores.
É preciso viver com os homens,
é preciso não assassiná-los,
é preciso ter mãos pálidas
e anunciar o FIM DO MUNDO.
[Poema da Necessidade, in 'Sentimento do Mundo']
é preciso suportar António,
é preciso odiar Melquíades,
é preciso substituir nós todos.
É preciso salvar o país,
é preciso crer em Deus,
é preciso pagar as dívidas,
é preciso comprar um rádio,
é preciso esquecer fulana.
É preciso estudar volapuque,
é preciso estar sempre bêbedo,
é preciso ler Baudelaire,
é preciso colher as flores
de que rezam velhos autores.
É preciso viver com os homens,
é preciso não assassiná-los,
é preciso ter mãos pálidas
e anunciar o FIM DO MUNDO.
[Poema da Necessidade, in 'Sentimento do Mundo']
18.10.15
«Loin des hommes»
filme baseado no conto de Albert Camus, O Hóspede (1957), que nunca li, com Viggo Mortensen e Reda Kateb nos principais papeis. a banda sonora ficou a cargo de Nick Cave & Warren Ellis.
um filme incrível sobre o dilema das origens. de onde somos?/ quem somos?/ a quem obedecemos? onde fica o nosso lugar, quando não queremos/ conseguimos escolher lugar nenhum?
sonhável
Nunca o nosso mundo teve ao seu dispor tanta comunicação. E nunca foi tão dramática a nossa solidão. Nunca houve tanta estrada. E nunca nos visitámos tão pouco. Sou biólogo e viajo muito pela savana do meu país, nessas regiões encontro gente que não sabe ler livros, mas que sabe ler o seu mundo, nesse universo de outros saberes, sou eu o analfabeto. Não sei ler sinais da terra, das árvores e dos bichos. Não sei ler nuvens, nem o prenúncio das chuvas. Não sei falar com os mortos, perdi contacto com os antepassados que nos concedem o sentido da eternidade. Nessas visitas que faço à savana, vou aprendendo sensibilidades que me ajudam a sair de mim e a afastar-me das minhas certezas, nesse território, eu não tenho apenas sonhos. Eu sou sonhável.
[E se Obama fosse africano?, Mia Couto]
17.10.15
Angry birds, por Mãe Preocupada
«As prostitutas da zona industrial, vazadouros de esperma, taras e solidão, também investem os tempos de pausa a dedilhar febrilmente no telemóvel.
Num exercício de imaginação, sento-me eu numa das suas cadeirinhas de lona, na berma da estrada, não sei há quantos anos estou a olhar para a mesma mata de eucaliptos com a humidade a roer-me os ossos, sou velha antes do tempo, tenho vícios, resignações, carnes frouxas, talvez não me lembre de a vida ser outra coisa nem sei do que será amanhã, se morro às mãos de uma besta desvairada, se me torno mãe de homens feitos que nunca pari. E neste tempo suspenso, neste abandono à margem do caminho, nesta desesperança crónica que não mata mas mói, cruzo a perna balofa, fumo um cigarro, tiro o telemóvel e acredito que os minutos voam enquanto extermino porcos de riso alarve com passarinhos a quem assaltaram o ninho.»
todos os elogios que lhe poderia fazer, são pequenos, para descrever o quanto gosto de a ler.
«A menstruação quando na cidade passava»
A menstruação quando na cidade passava
o ar. As raparigas respirando,
comendo figos - e a menstruação quando na cidade
corria o tempo pelo ar.
Eram cravos na neve. As raparigas
riam, gritavam e as figueiras soprando de dentro
os figos, com seus pulmões de esponja
branca. E as raparigas
comiam cravos pelo ar.
E elas riam na neve e gritavam: era
o tempo da menstruação.
As maçãs resvalavam na casa.
Alguém falava: neve. A noite vinha
partir a cabeça das estátuas, e as maçãs
resvalavam no telhado - alguém
falava: sangue.
Na casa, elas riam e a menstruação
corria pelas cavernas brancas das esponjas,
e partiam-se as cabeças das estátuas.
Cravos - era alguém que falava assim.
E as raparigas respirando, comendo
figos na neve.
Alguém falava: maçãs. E era o tempo.
O sangue escorria dos pescoços de granito,
a criança abatia a boca negra
sobre a neve nos figos - e elas gritavam
na sombra da casa.
Alguém falava: sangue, tempo.
As figueiras sopravam no ar que
corria, as máquinas amavam. E um peixe
percorrendo, como uma antiga palavra
sensível, a página desse amor.
E alguém falava: é a neve.
As raparigas riam dentro da menstruação,
comendo neve. As cabeças das
estátuas estavam cheias de cravos,
e as crianças abatiam a boca negra sobre
os gritos. A noite vinha pelo ar,
na sombra resvalavam as maçãs.
E era o tempo.
E elas riam no ar, comendo
a noite,
alimentando-se de figos e de neve.
E alguém falava: crianças.
E a menstruação escorria em silêncio -
na noite, na neve -
espremida das esponjas brancas, lá na noite
das raparigas
que riam na sombra da casa, resvalando,
comendo cravos. E alguém falava:
é um peixe percorrendo a página de um amor
antigo. E as raparigas
gritavam.
As vacas então espreitando,
e nos focinhos consumia-se o lume em silêncio.
Pelas janelas os violinos
passavam pelo ar. E a menstruação nas raparigas
escorria pela sombra, e elas
gritavam e comiam areia. Alguém falava:
fogo. E as vacas passavam pelos violinos.
E as janelas em silêncio escorriam
o seu fogo. E as admiráveis
raparigas cantavam a sua canção, como
uma palavra antiga escorrendo
numa página pela neve,
coroada de figos. E no fogo as crianças
eram tocadas pelo tempo da menstruação.
Alimentavam-se apenas de figos e de areia.
E pelo tempo fora,
riam - e a neve cobria a sua página de tempo,
e as vacas resvalavam na sombra.
Em silêncio o seu lume escorria das esponjas.
Partiam-se as cabeças dos violinos.
As raparigas, cantando as suas crianças,
comiam figos.
A noite comia areia.
E eram cravos nas cavernas brancas.
Menstruação - falava alguém. O ar passava -
e pela noite, em silêncio,
a menstruação escorria pela neve.
o ar. As raparigas respirando,
comendo figos - e a menstruação quando na cidade
corria o tempo pelo ar.
Eram cravos na neve. As raparigas
riam, gritavam e as figueiras soprando de dentro
os figos, com seus pulmões de esponja
branca. E as raparigas
comiam cravos pelo ar.
E elas riam na neve e gritavam: era
o tempo da menstruação.
As maçãs resvalavam na casa.
Alguém falava: neve. A noite vinha
partir a cabeça das estátuas, e as maçãs
resvalavam no telhado - alguém
falava: sangue.
Na casa, elas riam e a menstruação
corria pelas cavernas brancas das esponjas,
e partiam-se as cabeças das estátuas.
Cravos - era alguém que falava assim.
E as raparigas respirando, comendo
figos na neve.
Alguém falava: maçãs. E era o tempo.
O sangue escorria dos pescoços de granito,
a criança abatia a boca negra
sobre a neve nos figos - e elas gritavam
na sombra da casa.
Alguém falava: sangue, tempo.
As figueiras sopravam no ar que
corria, as máquinas amavam. E um peixe
percorrendo, como uma antiga palavra
sensível, a página desse amor.
E alguém falava: é a neve.
As raparigas riam dentro da menstruação,
comendo neve. As cabeças das
estátuas estavam cheias de cravos,
e as crianças abatiam a boca negra sobre
os gritos. A noite vinha pelo ar,
na sombra resvalavam as maçãs.
E era o tempo.
E elas riam no ar, comendo
a noite,
alimentando-se de figos e de neve.
E alguém falava: crianças.
E a menstruação escorria em silêncio -
na noite, na neve -
espremida das esponjas brancas, lá na noite
das raparigas
que riam na sombra da casa, resvalando,
comendo cravos. E alguém falava:
é um peixe percorrendo a página de um amor
antigo. E as raparigas
gritavam.
As vacas então espreitando,
e nos focinhos consumia-se o lume em silêncio.
Pelas janelas os violinos
passavam pelo ar. E a menstruação nas raparigas
escorria pela sombra, e elas
gritavam e comiam areia. Alguém falava:
fogo. E as vacas passavam pelos violinos.
E as janelas em silêncio escorriam
o seu fogo. E as admiráveis
raparigas cantavam a sua canção, como
uma palavra antiga escorrendo
numa página pela neve,
coroada de figos. E no fogo as crianças
eram tocadas pelo tempo da menstruação.
Alimentavam-se apenas de figos e de areia.
E pelo tempo fora,
riam - e a neve cobria a sua página de tempo,
e as vacas resvalavam na sombra.
Em silêncio o seu lume escorria das esponjas.
Partiam-se as cabeças dos violinos.
As raparigas, cantando as suas crianças,
comiam figos.
A noite comia areia.
E eram cravos nas cavernas brancas.
Menstruação - falava alguém. O ar passava -
e pela noite, em silêncio,
a menstruação escorria pela neve.
16.10.15
barcos-casas
Certo dia de manhã encontrei na caixa do correio uma ordem da polícia do rio para me mudar. Esperava-se a visita do Rei de Inglaterra e não era agradável para um rei a vista de barcos-casas, a roupa a secar no convés, as chaminés e os depósitos de água ferrugentos, as pranchas escamoteadas e outras flores humanas nascidas da pobreza e da preguiça. Mandavam-nos, portanto, sair a todos, subir o Sena, ninguém sabia para onde porque a linguagem era demasiado técnica.
Um dos meus vizinhos, um ciclista zarolho, chegou a discutir as desocupações e a invocar leis que jamais tinham existido e que davam às casas fluviais direito de se fixarem, lodosas, no coração de Paris. O pintor gordo que viva no lado oposto do rio, sempre de camisa desabotoada e a transpirar, sugeriu que não nos mudássemos, como forma de protesto. Que podia acontecer?
Anais Nin, Debaixo de uma redoma
15.10.15
«A meia hora de sol»
Na manhã em que o vieram buscar - dois homens à porta e outros dois na rua - ele cerrou os dentes com força, recusando-se à emoção em altura tal, e só lhe disse:
- Espera por mim, Júlia!
Mas beijou-a, primeiro na boca e depois nas mãos, com devoção, como a desfazer-se em água de alma, que nem ele jamais se apercebera de que lhe queria também assim.
No isolamento da cela reinventava-a, rememorava dia a dia, minuto a minuto, os quatro anos percorridos lado a lado; lamentava o tempo que não lhe dava por esta ou por aquela razão; tinha-a, com toda a gama dos seus olhares, queixumes, suspiros, gritos e êxtases, em todos os alaridos raivosos da sua continência forçada. De noite, ele que briosamente velava, em face dos estranhos e de si próprio, pela sequidão dos seus olhos e pela nudez dos seus lábios, acordava debulhado em lágrimas, assistindo à agonia de ausência que ela, sozinha em casa, conheceria.
Depois foram as visitas - de cada vez meia hora de sol, mesmo que o sol exterior não luzisse no firmamento. Um vidro a separá-los, as palmas das mãos esposando-se, uma de cada lado dessa delgada, mas intransponível fronteira que os dividia. E quase nada conseguiam dizer. Falavam sobretudo pelos olhos, pelo tremer da boca, pelo pasmo atroz do final na ocasião de se separarem. A tarde que se seguia era de todas a mais dolorosa, mas ainda quente do calor de vida que ela trouxera. E sucedia-se o deserto de uma nova, longa, tórrida semana, contando os dias que faltavam para a luz breve de outra visita. Durante meses, e na perspectiva de anos iguais.
(...)
Contos da Solidão (1970), Urbano Tavares Rodrigues
«Línguas que não sabemos que sabíamos»
Num conto que nunca cheguei a publicar acontece o seguinte: uma mulher, em fase terminal de doença, pede ao marido que lhe conte uma história para apaziguar as insuportáveis dores. Mal ele inicia a narração, ela o faz parar:
— Não, assim não. Eu quero que me fale numa língua desconhecida.
— Desconhecida? — pergunta ele.
— Uma língua que não exista. Que eu preciso tanto de não compreender nada!
O marido se interroga: como se pode saber falar uma língua que não existe? Começa por balbuciar umas palavras estranhas e sente-se ridículo como se a si mesmo desse provas da incapacidade de ser humano. Aos poucos, porém, vai ganhando mais à-vontade nesse idioma sem regra. E ele já não sabe se fala, se canta, se reza. Quando se detém, repara que a mulher está adormecida, e mora em seu rosto o mais tranquilo sorriso. Mais tarde, ela lhe confessa: aqueles murmúrios lhe trouxeram lembranças de antes de ter memória. E lhe deram o conforto desse mesmo sono que nos liga ao que havia antes de estarmos vivos.
Na nossa infância, todos nós experimentámos este primeiro idioma, o idioma do caos, todos nós usufruímos do momento divino em que a nossa vida podia ser todas as vidas e o mundo ainda esperava por um destino.
[E se Obama fosse africano?, Mia Couto]
13.10.15
«Los ríos y la mar»
No había agua en la selva de los chocoes. Dios supo que la hormiga tenía, y
se la pidió. Ella no quiso escucharlo. Dios le apretó la cintura, que quedó finita para
siempre, y la hormiga echó el agua que guardaba en el buche.
—Ahora me dirás de dónde la sacaste.
La hormiga condujo a Dios hacia un árbol que no tenía nada de raro.
Cuatro días y cuatro noches estuvieron trabajando las ranas y los hombres, a
golpes de hacha, pero el árbol no caía del todo. Una liana impedía que tocara la
tierra.
Dios mandó al tucán:
—Córtala.
El tucán no pudo, y por eso fue condenado a comer los frutos enteros.
El guacamayo cortó la liana, con su pico duro y afilado.
Cuando el árbol del agua se desplomó, del tronco nació la mar y de las ramas,
los ríos.
Toda el agua era dulce. Fue el Diablo quien anduvo echando puñados de sal.
Memoria del fuego I Los nacimientos
se la pidió. Ella no quiso escucharlo. Dios le apretó la cintura, que quedó finita para
siempre, y la hormiga echó el agua que guardaba en el buche.
—Ahora me dirás de dónde la sacaste.
La hormiga condujo a Dios hacia un árbol que no tenía nada de raro.
Cuatro días y cuatro noches estuvieron trabajando las ranas y los hombres, a
golpes de hacha, pero el árbol no caía del todo. Una liana impedía que tocara la
tierra.
Dios mandó al tucán:
—Córtala.
El tucán no pudo, y por eso fue condenado a comer los frutos enteros.
El guacamayo cortó la liana, con su pico duro y afilado.
Cuando el árbol del agua se desplomó, del tronco nació la mar y de las ramas,
los ríos.
Toda el agua era dulce. Fue el Diablo quien anduvo echando puñados de sal.
Memoria del fuego I Los nacimientos
11.10.15
«natureza morta com louva-a-deus»
Foi o último hóspede a sentar-se
no topo da mesa, já depois do martírio.
As asas magníficas haviam-lhe sido quebradas
por algum vento. Perdera o rumo
sobre a película cintilante de água
no riacho parado. Tal como poisou
junto de nós, com o belo corpo magro
arquejante, lembrava, ainda segundo o seu nome,
um santo mártir. Enquanto meditávamos,
a morte sobreveio, e a pequena criatura,
que viera partilhar a nossa mesa,
depois de ter sido banida das águas
foi banida da terra. Alguém pegou
no volúvel alado corpo morto
abandonado sem nexo na brancura da toalha
- que maculava -
e o atirou para qualquer arbusto raro
que o poeta ainda pôde fotografar.
no topo da mesa, já depois do martírio.
As asas magníficas haviam-lhe sido quebradas
por algum vento. Perdera o rumo
sobre a película cintilante de água
no riacho parado. Tal como poisou
junto de nós, com o belo corpo magro
arquejante, lembrava, ainda segundo o seu nome,
um santo mártir. Enquanto meditávamos,
a morte sobreveio, e a pequena criatura,
que viera partilhar a nossa mesa,
depois de ter sido banida das águas
foi banida da terra. Alguém pegou
no volúvel alado corpo morto
abandonado sem nexo na brancura da toalha
- que maculava -
e o atirou para qualquer arbusto raro
que o poeta ainda pôde fotografar.
«Vista de fora, a tragédia chega a fazer rir.»
Torga, no dia 3 de Março de 1943:
[...]
[...]
É evidente que no espólio de qualquer época há sempre muito para condenar, corrigir, deitar fora, e até combater. Mas, na pressa com que vem, a rapaziada nova esquece que igual auto-de-fé há-de queimar no futuro parte da produção dos inquisidores de agora. (...).
Boa ou má, a obra que realizaram foi um esforço e um exemplo. Na maioria dos casos, foi nela, até, que os mesmos atacantes mataram a primeira sede. De maneira que não se chega a compreender a causa de tanta irreverência e muitas vezes tanto ódio.
Embora a imagem seja um bocado crua, depois de uma meditação serena sobre certas injustiças, é-se levado a pensar que há na base dessa feroz hostilidade aos velhos qualquer coisa de semelhante ao que acontece com aqueles bichos que, apenas fecundados pelo companheiro, se apressam a matá-lo e a devorá-lo. É como se cada geração, mal acabasse de sorver da anterior todo o sumo vital, indignada por não encontrar lá mais com que nutrir a insaciedade, passasse a odiar o favo que chupou, onde agora sòmente vê cera morta.
Por outro lado, é um fenómeno quase miraculoso encontrar no passado duma literatura um autor idoso com autêntica compreensão pela seiva naturalmente um pouco irresponsável de qualquer principiante.
Parece que a idade, a cultura, a maturidade, o incapacitam de se lembrar sequer dos bons tempos em que também ele era a mesma ânsia e obstinação.
[...]
in Diário, vol. II
«Coisas que não há que há»
Uma coisa que me põe triste
é que não exista o que não existe.
(Se é que não existe, e isto é que existe!)
Há tantas coisas bonitas que não há:
coisas que não há, gente que não há,
bichos que já houve e já não há,
livros por ler, coisas por ver,
feitos desfeitos, outros feitos por fazer,
pessoas tão boas ainda por nascer
e outras que morreram há tanto tempo!
Tantas lembranças de que não me lembro,
sítios que não sei, invenções que não invento,
gente de vidro e de vento, países por achar,
paisagens, plantas, jardins de ar,
tudo o que eu nem posso imaginar
porque se o imaginasse já existia
embora num sítio onde só eu ia...
é que não exista o que não existe.
(Se é que não existe, e isto é que existe!)
Há tantas coisas bonitas que não há:
coisas que não há, gente que não há,
bichos que já houve e já não há,
livros por ler, coisas por ver,
feitos desfeitos, outros feitos por fazer,
pessoas tão boas ainda por nascer
e outras que morreram há tanto tempo!
Tantas lembranças de que não me lembro,
sítios que não sei, invenções que não invento,
gente de vidro e de vento, países por achar,
paisagens, plantas, jardins de ar,
tudo o que eu nem posso imaginar
porque se o imaginasse já existia
embora num sítio onde só eu ia...
Spanish Hunting Dogs
10.10.15
«Tentativa de simulação da demência precoce»
Quando era jovem, escondi Hércules na algibeira do meu fato
de marinheiro, quando era velho restituí-lhe a liberdade ao
fixar o seu resgate à minha pedra tumular em ricochetes. Ele
ria por baixo da minha mordaça, um riso de hera. Mas tarde,
como se levasse avanço fiz germinar miríades de ovos de
sapos provenientes de estrelas de cangurus no chapéu com
gavetas de Napoleão da minha cómoda com pés de trevo sem
folhas. Tenho como bisneta Cleo de Mérode, minha bisavó
que viaja no dorso de lobo juntamente com Carlos, o Temerário.
Ganhei um bilião de vezes a taluda à roleta jogando os nove
meses do ano. Expulsaram-me em triunfo de todas as salas de
esgrima porque queria apanhar mel. Foi nesse dia que compreendi
os sete mistérios da criação. Cleo de Mérode passava o seu tempo a
querer calçar o pé da mesa com o mais claro dos meus rendimentos.
Pus Cleo de Mérode na chancela do meu anel. Ela está tranquila,
ela desperta os mortos. Esterilizo todos os dados. O embrião mantém
a sua aparência de chave inglesa, o ímpio já não se faz fanfarrão.
Regulamentei a prisão por dívidas. É preciso mostrar carta branca
para entrar e não subestimar os guardas.
[André Breton & Paul Éluard, A Imaculada Concepção, estúdios cor, p. 54/55]
9.10.15
Amo um planeta. Plutão.
![]() |
| NASA |
Céu azul em Plutão, de Teresa Borges do Canto
[freud, esse malandro, haveria de saber explicar esta gaffe envergonhada de etiquetar incorretamente o nome da poeta(iza?), que canta no campo o céu azul em Plutão. mil perdões, Teresa. já "corrigi".]
[freud, esse malandro, haveria de saber explicar esta gaffe envergonhada de etiquetar incorretamente o nome da poeta(iza?), que canta no campo o céu azul em Plutão. mil perdões, Teresa. já "corrigi".]
8.10.15
Nobel
a Elsinore manda dizer que posso ler Svetlana na minha língua materna, quando quiser, basta fazer o pedido. a Elsinore não sabe que eu me abstenho de leituras aos galardoados, durante um período nunca menor a trezentos e sessenta e cinco dias. o que eu queria mesmo, mas a Elsionore não sabe, era o Nobel para Adonis e poder lê-lo, (às escondidas), finalmente, em português europeu.
E verto o sangue para dentro das palavras
Ando um pouco acima do chão
Nesse lugar onde costumam ser atingidos
Os pássaros
Um pouco acima dos pássaros
No lugar onde costumam inclinar-se
Para o voo
Tenho medo do peso morto
Porque é um ninho desfeito
Estou ligeiramente acima do que morre
Nessa encosta onde a palavra é como pão
Um pouco na palma da mão que divide
E não separo como o silêncio em meio do que escrevo
Ando ligeiro acima do que digo
E verto o sangue para dentro das palavras
Ando um pouco acima da transfusão do poema
Ando humildemente nos arredores do verbo
Passageiro num degrau invisível sobre a terra
Nesse lugar das árvores com fruto e das árvores
No meio dos incêndios
Estou um pouco no interior do que arde
Apagando-me devagar e tendo sede
Porque ando acima da força a saciar quem vive
E esmago o coração para o que desce sobre mim
E bebe
Nesse lugar onde costumam ser atingidos
Os pássaros
Um pouco acima dos pássaros
No lugar onde costumam inclinar-se
Para o voo
Tenho medo do peso morto
Porque é um ninho desfeito
Estou ligeiramente acima do que morre
Nessa encosta onde a palavra é como pão
Um pouco na palma da mão que divide
E não separo como o silêncio em meio do que escrevo
Ando ligeiro acima do que digo
E verto o sangue para dentro das palavras
Ando um pouco acima da transfusão do poema
Ando humildemente nos arredores do verbo
Passageiro num degrau invisível sobre a terra
Nesse lugar das árvores com fruto e das árvores
No meio dos incêndios
Estou um pouco no interior do que arde
Apagando-me devagar e tendo sede
Porque ando acima da força a saciar quem vive
E esmago o coração para o que desce sobre mim
E bebe
4.10.15
/E a donzela ainda consegue escapar-lhe.
1.
Há quem diga que, quanto voltamos a ler um livro, anos depois, não é o mesmo livro. É um fenómeno caro a Heraclito. A teoria diz que nós mudamos, aprendemos mais e quando relemos, fazemo-lo com outros olhos, mais experientes, mais sábios. Mas há a possibilidade, é só uma teoria, de, quando se fecha um livro numa prateleira, ele, febrilmente, trocar as suas próprias letras, tal como nós renovamos o sangue e vamos crescendo. Reescreve frases e parágrafos, acrescenta texto, elimina períodos, sublinha ideias. Ou como é que um objecto que pode conter tanta sabedoria, pode ter a vida de uma pedra, em vez da dum ancião de barbas? Ou como é que aquilo que contém inteligência pode não ser inteligente?
O Cavaleiro Ainda Persegue/ A Mesma Donzela, Afonso Cruz
3.10.15
- topas?
esfolo-te vivo, vadio, se me trazes outra vez versos desses,
assim tão às ordens de um modelo civil:
adorar a ginástica dos exemplos, ser diligente,
montar o seu negócio das tendências,
das trocas baldrocas das dedicatórias sempre óbvias,
assim tão presto prestáveis,
fortes não da sua profundeza e verdade primeiras
mas daquilo que convém à digestão,
ao optimismo ou pessimismo do mundo,
regras da realidade,
?mas o que é a realidade - perguntava o mais extremo de todos,
...
Poemas Canhotos, Herberto Helder
assim tão às ordens de um modelo civil:
adorar a ginástica dos exemplos, ser diligente,
montar o seu negócio das tendências,
das trocas baldrocas das dedicatórias sempre óbvias,
assim tão presto prestáveis,
fortes não da sua profundeza e verdade primeiras
mas daquilo que convém à digestão,
ao optimismo ou pessimismo do mundo,
regras da realidade,
?mas o que é a realidade - perguntava o mais extremo de todos,
...
Poemas Canhotos, Herberto Helder
que o Sonho de Wadja não deixe nunca de ser a nossa possibilidade
! O primeiro filme produzido dentro da Arábia Saudita e também a primeira longa-metragem dirigida por uma mulher na história da Arábia Saudita: Haifaa al-Mansour.
1.10.15
retalhos
Há dias em que a melancolia chove dentro de nós como num pátio interior, atapetado de jornais velhos. Não se ouve, não se sente - mas rebrilha na sujidade densa.
[Retalhos da Vida de Um Médico, Fernando Namora]
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