8.9.15
7.9.15
6.9.15
flores
Estava junto aos escombros do meu pai, com
os restos dos nossos sentimentos à deriva. O meu corpo ainda
dizia o nome dele muito baixinho, como se fosse sangue a
correr nas veias. As lágrimas não caíam, ficavam suspensas
numa antecâmara qualquer do coração ou lá de que lugar é
esse onde as lágrimas são laboriosamente fabricadas.
A Clarisse estava ao meu lado. Estávamos de braço
dado, ela tinha a cabeça encostada ao meu ombro.
Atrás dos meus óculos escuros via as pessoas no enterro,
a Carla estava tão bonita, de preto, com a dor no rosto, os
cabelos lisos e as coxas a sair do vestido curto, mas não podia
pensar naquilo, era o enterro do pai, ainda por cima a Carla é
minha prima direita. Os destroços da morte por todo o lado,
nas caras das pessoas, nas recordações. A mãe gritou algumas
vezes, Zé, Zé, Zé, era o nome do meu pai, e foi nessa altura
que me caíram umas lágrimas, não tanto por ele, naquela
serenidade de cadáver, mas pela dor da mãe, tão pungente
e catártica, tão siciliana na sua forma de se manifestar,
cada Zé que ela gritava era uma facada no ar, Zé, Zé, Zé.
O calor era tanto, o suor escorria-me pelas costas
abaixo, não, não era suor, era a língua da morte a lamber-me a coluna de cima para baixo, a arrastar-me para o chão, a
língua quente dessa estranha entidade que nos transforma
em terra, que transforma tudo em terra. Sentia-lhe o hálito a
flores, porque ela não fede como seria crível, tem o bafo das
coroas de rosas e margaridas e gladíolos com que enfeitamos
os caixões e mais tarde as campas. Cheira tudo a flores, o fim
das coisas cheira a flores, não é a esgoto e a podre. Zé, Zé, Zé,
gritava a mãe, e a morte a lamber-nos as costas, sem parar,
com a ponta da língua muito fina a passar pelos corpos dos
vivos, como quem toma um aperitivo.
E, enquanto o padre mandava o pó voltar ao pó, eu
abençoava Deus com blasfémias.
Flores, Afonso Cuz
DESIERTOS (Fragmentos)
La muerte ha cambiado la forma de la ciudad.
Esta piedra es la cabeza de un niño
y este humo es un suspiro humano.
Alí Ahmad Said Esber (Adonis)
(poeta e ensaísta sírio)
Esta piedra es la cabeza de un niño
y este humo es un suspiro humano.
Alí Ahmad Said Esber (Adonis)
(poeta e ensaísta sírio)
5.9.15
a quem pertence a Europa?
(...) cette Europe multiculturelle será un retour aux sources, car l’Europe est née de l’appropriation du passé et de l’autre.
Edgar Morin, in Qu'est-ce que la culture ?(Yves Michaud)
4.9.15
O encontro inesperado do diverso / O ensaio de música
- Eleanora, o que pensas, já o deixei de pensar. Não te deixes iludir porque pequenas palavras podem ter a sombra de grandes. Provavelmente, o movimento dessa força, que julgas imensa, é ainda quase inexistente.
- Não posso, Anna. Há uma voz, no exterior, que se cruzou com a minha, a minha pobre voz sem lugar, e ainda tem força para «onde estás, meu amor», perguntei, mas a minha intenção firme, e silenciosa, era deixar de pronunciar, definitivamente, qualquer destas palavras porque são um véu transparente que asfixia o meu discernimento, mas não posso, Anna.
Lisboaleipzig
Lisboaleipzig
3.9.15
sinais ambivalentes
Transformar é o que a arte faz, mas a fotografia que testemunha o que foi uma calamidade ou o que é repreensível será muito criticada se parecer «estética»; ou seja, se se parecer demasiado com a arte. O duplo poder da fotografia - gerar documentos e criar obras de arte visual - originaram alguns notáveis exageros quanto àquilo que os fotógrafos devem ou não fazer. Ultimamente, o exagero mais comum é o que encara estes dois poderes como opostos. As fotografias que representam sofrimento não deviam ser belas, assim como as legendas não deviam moralizar. Segundo esta ideia, a beleza de uma fotografia desvia a a tenção da seriedade do tema e foca-a no meio utilizado, pondo desse modo em causa o estatuto da fotografia como documento. A fotografia envia sinais ambivalentes. «Parem com isto», apela. Mas exclama também: «Que espectáculo!»
Olhando o Sofrimento dos Outros, Susan Sontag
2.9.15
Será?
As fotografias atrozes não perdem inevitavelmente a sua capacidade de chocar. Mas não são de grande ajuda quando o que se pretende é compreender. As fotografias fazem outra coisa: perseguem-nos.
Olhando o Sofrimento dos Outros, Susan Sontag
31.8.15
Tríade
O alívio que César terá sentido na manhã de
Farsália, ao pensar: Hoje é a batalha.
O alívio que Carlos Primeiro terá sentido ao ver a
aurora no vidro e pensar: Hoje é o dia do
patíbulo, da coragem e da acha.
O alívio que tu e eu sentiremos no instante que
precede a morte, quando a sina nos libertar do
triste hábito de ser alguém e do peso do
universo.
Os Conjurados
Farsália, ao pensar: Hoje é a batalha.
O alívio que Carlos Primeiro terá sentido ao ver a
aurora no vidro e pensar: Hoje é o dia do
patíbulo, da coragem e da acha.
O alívio que tu e eu sentiremos no instante que
precede a morte, quando a sina nos libertar do
triste hábito de ser alguém e do peso do
universo.
Os Conjurados
30.8.15
Podes ficar aqui?
26.8.15
A névoa disse à árvore:
25.8.15
Ich bin der Welt abhanden gekommen
atravessei a cidade, acompanhada de Mahler. sorri a cada semáforo que fechava, obrigando-me a esperar.
24.8.15
(Buenos Aires, 24 de agosto de 1899 — Genebra, 14 de junho de 1986)
¿Cuál cree que puede ser el juicio de la posteridad en su caso?
No me interesa absolutamente nada. Yo espero ser olvidado, definitivamente.
No me interesa absolutamente nada. Yo espero ser olvidado, definitivamente.
21.8.15
20.8.15
Admirável Mundo Novo (2)
- Sem falar no direito de envelhecer, de ficar feio e impotente, no direito de ter a sífilis e o cancro, no direito de não ter de comer, no direito de ter piolhos, no direito de viver no temor constante do que poderá acontecer amanhã, no direito de apanhar a febre tifóide, no direito de ser torturado por indizíveis dores de todas as espécies.
Estabeleceu-se um longo silêncio.
- Reclamo-os a todos - disse, por fim, o Selvagem. Mustafá Mond encolheu os ombros.
- Oferecemo-los da melhor vontade - respondeu.
Admirável Mundo Novo
- Nós preferimos fazer as coisas com todo o conforto.
- Mas eu não quero conforto. Quero Deus, quero a poesia, quero o autêntico perigo, quero a liberdade, quero a bondade. Quero o pecado.
- Em suma – disse Mustafá Mond –, você reclama o direito de ser infeliz.
- Pois bem, seja assim! – respondeu o Selvagem em tom de desafio. – Reclamo o direito de ser infeliz.
Aldous Huxley, Admirável Mundo Novo
- Mas eu não quero conforto. Quero Deus, quero a poesia, quero o autêntico perigo, quero a liberdade, quero a bondade. Quero o pecado.
- Em suma – disse Mustafá Mond –, você reclama o direito de ser infeliz.
- Pois bem, seja assim! – respondeu o Selvagem em tom de desafio. – Reclamo o direito de ser infeliz.
Aldous Huxley, Admirável Mundo Novo
19.8.15
Sul/meu sol
Era verão, havia o muro.
Na praça, a única evidência
eram os pombos, o ardor
da cal. De repente
o silêncio sacudiu as crinas,
correu para o mar.
Pensei: devíamos morrer assim.
Assim: explodir no ar.
Na praça, a única evidência
eram os pombos, o ardor
da cal. De repente
o silêncio sacudiu as crinas,
correu para o mar.
Pensei: devíamos morrer assim.
Assim: explodir no ar.
A boca na cinza
falo contra as palavras que se esvaem, paro no meio de uma frase e olho em volta, como se quisesse encontrar a palavra que me falta, como se as palavras fossem objectos. E fica a minha voz parada. Levanto a mão, a direita, frente aos olhos de quem me escuta, abertos, tão grandes que desaparece neles a intenção. E procuro, aflita.
As pessoas perguntam-me: que tens?,
e eu, calada, a sentir uma bola na garganta, feita das palavras todas de que não me lembro, tens bócio: diz-me o meu irmão: tens bócio como a nossa mãe, de repente lembro-me de que nunca mais me lembrei de minha mãe, e quero responder-lhe: não é bócio, são frases esquecidas, são letras que não se juntam, às vezes, os olhos dos outros param na minha boca, inquirem o meu silêncio e esperam que eu fale, e o silêncio aumenta, até todo o meu corpo ser a falta de uma palavra, começo então a suar, as mãos ficam viscosas, os lábios secos, e eles continuam a olhar-me: fala.
As pessoas perguntam-me: que tens?,
e eu, calada, a sentir uma bola na garganta, feita das palavras todas de que não me lembro, tens bócio: diz-me o meu irmão: tens bócio como a nossa mãe, de repente lembro-me de que nunca mais me lembrei de minha mãe, e quero responder-lhe: não é bócio, são frases esquecidas, são letras que não se juntam, às vezes, os olhos dos outros param na minha boca, inquirem o meu silêncio e esperam que eu fale, e o silêncio aumenta, até todo o meu corpo ser a falta de uma palavra, começo então a suar, as mãos ficam viscosas, os lábios secos, e eles continuam a olhar-me: fala.
(voz cega, sobre a mulher que esconde o nome inarticulado do filho)
- que não tive, que não poderei ter
Rui Nunes, A boca na cinza
18.8.15
Internet:
Método de entretenimiento que nos permite navegar en el Vacío para ir al encuentro de la Nada.
AGUSTÍN MONSREAL, Diccionario al desnudo
daqui: Internacional Microcuentista - Revista de lo breve
AGUSTÍN MONSREAL, Diccionario al desnudo
daqui: Internacional Microcuentista - Revista de lo breve
17.8.15
«É o tempo da ternurinha, de facto.»*
Porto, 4 de Junho de 1960 — Ri-me. Algumas das nossas ingenuidades não
merecem mais.
— Lá fomos a Paris tomar um banho de civilização...
Como se a civilização fosse uma lixívia!
*....
16.8.15
Viceversa
Tengo miedo de verte
necesidad de verte
esperanza de verte
desazones de verte
tengo ganas de hallarte
preocupación de hallarte
certidumbre de hallarte
pobres dudas de hallarte
tengo urgencia de oírte
alegría de oírte
buena suerte de oírte
y temores de oírte
o sea
resumiendo
estoy jodido
y radiante
quizá más lo primero
que lo segundo
y también
viceversa.
necesidad de verte
esperanza de verte
desazones de verte
tengo ganas de hallarte
preocupación de hallarte
certidumbre de hallarte
pobres dudas de hallarte
tengo urgencia de oírte
alegría de oírte
buena suerte de oírte
y temores de oírte
o sea
resumiendo
estoy jodido
y radiante
quizá más lo primero
que lo segundo
y también
viceversa.
15.8.15
as vozes
A infância vem
pé ante pé
sobe as escadas
e bate à porta
- Quem é?
- É a mãe morta
- São coisas passadas
- Não é ninguém
Tantas vozes fora de nós!
E se somos nós quem está lá fora
e bate à porta? E se nos fomos embora?
E se ficamos sós?
[Nenhuma palavra e nenhuma lembrança]
pé ante pé
sobe as escadas
e bate à porta
- Quem é?
- É a mãe morta
- São coisas passadas
- Não é ninguém
Tantas vozes fora de nós!
E se somos nós quem está lá fora
e bate à porta? E se nos fomos embora?
E se ficamos sós?
[Nenhuma palavra e nenhuma lembrança]
12.8.15
Quem me quiser maltratar
Quem me quiser maltratar;
maltrate-me agora,
pois é tarde, e cansado
de trabalhos e penas,
quem se defende a esta hora?
Quem me quiser renegar,
renegue-me agora,
porque o meu sono é tão grande
que tudo aceito - nem sinto
se alguém se for embora.
Quem me quiser esquecer,
esqueça-me agora:
que eu não lamento nem sofro,
tonta do dia excessivo.
Tão sem força, quem chora?
(Noite imóvel, noite escura,
forrada de sedas suaves,
pequeno mundo sem chaves,
quase como a sepultura.)
maltrate-me agora,
pois é tarde, e cansado
de trabalhos e penas,
quem se defende a esta hora?
Quem me quiser renegar,
renegue-me agora,
porque o meu sono é tão grande
que tudo aceito - nem sinto
se alguém se for embora.
Quem me quiser esquecer,
esqueça-me agora:
que eu não lamento nem sofro,
tonta do dia excessivo.
Tão sem força, quem chora?
(Noite imóvel, noite escura,
forrada de sedas suaves,
pequeno mundo sem chaves,
quase como a sepultura.)
11.8.15
na biblioteca
O que não pode ser dito
guarda um silêncio
feito de primeiras palavras
diante do poema, que chega sempre demasiadamente tarde,
quando já a incerteza
e o medo se consomem
em metros alexandrinos.
Na biblioteca, em cada livro,
em cada página sobre si
recolhida, às horas mortas em que
a casa se recolheu também
virada para o lado de dentro,
as palavras dormem talvez,
sílaba a sílaba,
o sono cego que dormiram as coisas
antes da chegada dos deuses.
Aí, onde não alcançam nem o poeta
nem a leitura,
o poema está só.
‘E, incapaz de suportar sozinho a vida, canta.’
[Poesia, Saudade da Prosa - uma antologia pessoal]
guarda um silêncio
feito de primeiras palavras
diante do poema, que chega sempre demasiadamente tarde,
quando já a incerteza
e o medo se consomem
em metros alexandrinos.
Na biblioteca, em cada livro,
em cada página sobre si
recolhida, às horas mortas em que
a casa se recolheu também
virada para o lado de dentro,
as palavras dormem talvez,
sílaba a sílaba,
o sono cego que dormiram as coisas
antes da chegada dos deuses.
Aí, onde não alcançam nem o poeta
nem a leitura,
o poema está só.
‘E, incapaz de suportar sozinho a vida, canta.’
[Poesia, Saudade da Prosa - uma antologia pessoal]
10.8.15
Abtu e Anet
Segundo a mitologia dos egípcios, Abtu e Anet são dois peixes idênticos e sagrados que vão nadando à frente da nave de Rá, deus do Sol, para o advertirem de qualquer perigo. Durante o dia, a nave viaja pelo céu, de nascente para poente; durante a noite, por baixo da terra, em sentido inverso.
[O Livro dos Seres Imaginários, Jorge Luis Borges, Quetzal Editores, p. 11]
9.8.15
O Echo
Tão tarde. Adão não vem? Aonde iria Adão?!
Talvez que fosse á caça; quer fazer surprezas com alguma côrça branca lá da floresta.
Era p'lo entardecer, e Eva já sentia cuidados por tantas demoras.
Foi chamar ao cimo dos rochedos, e uma voz de mulher tambem, tambem chamou Adão.
Teve mêdo: Mas julgando fantazia chamou de nôvo: Adão? E uma voz de mulher tambem, tambem chamou Adão.
Foi-se triste para a tenda.
Adão já tinha vindo e trouxera as settas todas, e a cáça era nenhuma!
E elle a saudá-la ameaçou-lhe um beijo e ella fugiu-lhe.
- Outra que não Ella chamára tambem por Elle.
Talvez que fosse á caça; quer fazer surprezas com alguma côrça branca lá da floresta.
Era p'lo entardecer, e Eva já sentia cuidados por tantas demoras.
Foi chamar ao cimo dos rochedos, e uma voz de mulher tambem, tambem chamou Adão.
Teve mêdo: Mas julgando fantazia chamou de nôvo: Adão? E uma voz de mulher tambem, tambem chamou Adão.
Foi-se triste para a tenda.
Adão já tinha vindo e trouxera as settas todas, e a cáça era nenhuma!
E elle a saudá-la ameaçou-lhe um beijo e ella fugiu-lhe.
- Outra que não Ella chamára tambem por Elle.
a pedra
Pedra sendo
Eu tenho gosto de jazer no chão.
Só privo com lagarto e borboletas.
Certas conchas se abrigam em mim.
De meus interstícios crescem musgos.
Passarinhos me usam para afiar seus bicos.
Às vezes uma garça me ocupa de dia.
Fico louvoso.
Há outros privilégios de ser pedra:
a - Eu irrito o silêncio dos insetos.
b - Sou batido de luar nas solitudes.
c - Tomo banho de orvalho de manhã.
d - E o sol me cumprimenta por primeiro
8.8.15
Obsceno Abandono
Está machucando? - O doutor perguntou tão perto de mim que era erótico.
Tinha uma voz suave que me arrepiava.
- Se estiver doendo, levante a mão, está bem? Posso anestesiar, se você preferir.
"Doendo". Se ele soubesse o que é dor. Crateras e rombos e vazios e fisgadas de dores profundas era o que não me faltava, é o que não me falta.
O cuidado, a delicadeza, aquele fio de voz, tudo me dava vontade de chorar como uma menina. Por pouco eu não respondi:
- Anestesia, não. Eu vim aqui pra sentir dor física mesmo. Dessas de quando se abrem as crateras e se expõem os nervos inflamados dos dentes. Quero ver se, desse modo, me curo da outra, uma dor abstrata que estou sentindo não sei onde.
Marilene Felinto, Obsceno Abandono: Amor e Perda
[daqui: camelos lendo]
Tinha uma voz suave que me arrepiava.
- Se estiver doendo, levante a mão, está bem? Posso anestesiar, se você preferir.
"Doendo". Se ele soubesse o que é dor. Crateras e rombos e vazios e fisgadas de dores profundas era o que não me faltava, é o que não me falta.
O cuidado, a delicadeza, aquele fio de voz, tudo me dava vontade de chorar como uma menina. Por pouco eu não respondi:
- Anestesia, não. Eu vim aqui pra sentir dor física mesmo. Dessas de quando se abrem as crateras e se expõem os nervos inflamados dos dentes. Quero ver se, desse modo, me curo da outra, uma dor abstrata que estou sentindo não sei onde.
Marilene Felinto, Obsceno Abandono: Amor e Perda
[daqui: camelos lendo]
7.8.15
6.8.15
A Câmara Clara
A Fotografia pertence a essa classe de objetos folheados, onde não é possível separar duas folhas sem as destruir: o vidro e a paisagem, e, porque não, o Bem e o Mal, o desejo e o seu objeto – dualidades que é possível conceber mas não perceber.
Roland Barthes, A Câmara Clara
5.8.15
Porto, 8 de Maio de 1929 – Lisboa, 5 de Agosto de 2015
saber
é saber saber-te
sabermo-nos unir
unirmo-nos
é conhecermo-nos
sabermos ser
por fim sermos
é sabermos
sabermo-nos
conhecermos
a surda áspide
Ana Hatherly, in "Um Calculador de Improbabilidades"
é saber saber-te
sabermo-nos unir
unirmo-nos
é conhecermo-nos
sabermos ser
por fim sermos
é sabermos
sabermo-nos
conhecermos
a surda áspide
Ana Hatherly, in "Um Calculador de Improbabilidades"
2.8.15
1.8.15
Numa folha, leve e livre
Grito o teu nome
e se as formigas já comem a terra nos meus lábios
Tu dizes vive
gravitando cada vez mais longe
cada vez mais dentro
do meu círculo de veias
As palavras enterram-se
na minha voz
porque tu és o corpo que abandono sempre
sem querer sem o saber ainda
Mas é possível
ir além das imagens
ou no interior delas afugentar a morte
Escuto o teu rumor de espaço vivo
e fujo como um prisioneiro
que pressente o seu corpo de claridade
[2013]
«Estou vivo e escrevo sol»
e se as formigas já comem a terra nos meus lábios
Tu dizes vive
gravitando cada vez mais longe
cada vez mais dentro
do meu círculo de veias
As palavras enterram-se
na minha voz
porque tu és o corpo que abandono sempre
sem querer sem o saber ainda
Mas é possível
ir além das imagens
ou no interior delas afugentar a morte
Escuto o teu rumor de espaço vivo
e fujo como um prisioneiro
que pressente o seu corpo de claridade
[2013]
«Estou vivo e escrevo sol»
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