28.3.15

O que cresce no Deserto






Perto de Ispaão há uma ameixeira que dá dois tipos de frutos: as ameixas que são doces e os espaços entre as ameixas que são silenciosos. São estes últimos que, ao fim da tarde, exibem o pôr-do-sol através dos ramos.

(Peter Stamboliski, Poesia)

Afonso Cruz, Enciclopédia da Estória Universal - Recolha de Alexandria



Amo-te, meu Sol.


 Alan Ebnother



26.3.15

Conversation with a Stone

I knock at the stone’s front door.

"It’s only me, let me come in.

I want to enter your insides,

have a look round,

breathe my fill of you.”


"Go away," says the stone.

"I’m shut tight.

Even if you break me to pieces,

we’ll all still be closed.

You can grind us to sand,

we still won’t let you in.”


I knock at the stone’s front door.

"It’s only me, let me come in.

I’ve come out of pure curiosity.

Only life can quench it.

I mean to stroll through your palace,

then go calling on a leaf, a drop of water.

I don’t have much time.

My mortality should touch you.”


"I’m made of stone," says the stone,

"and must therefore keep a straight face.

Go away.

I don’t have the muscles to laugh.”


I knock at the stone’s front door.

"It’s only me, let me come in.

I hear you have great empty halls inside you,

unseen, their beauty in vain,

soundless, not echoing anyone’s steps.

Admit you don’t know them well yourself.”


"Great and empty, true enough," says the stone,

"but there isn’t any room.

Beautiful, perhaps, but not to the taste

of your poor senses.

You may get to know me, but you’ll never know me through.

My whole surface is turned toward you,

all my insides turned away.”


I knock at the stone’s front door.

"It’s only me, let me come in.

I don’t seek refuge for eternity.

I’m not unhappy.

I’m not homeless.

My world is worth returning to.

I’ll enter and exit empty-handed.

And my proof I was there

will be only words,

which no one will believe.”


"You shall not enter," says the stone.

"You lack the sense of taking part.

No other sense can make up for your missing sense of taking part.

Even sight heightened to become all-seeing

will do you no good without a sense of taking part.


You shall not enter, you have only a sense of what that sense should be,

only its seed, imagination.”


I knock at the stone’s front door.

"It’s only me, let me come in.

I haven’t got two thousand centuries,

so let me come under your roof.”


"If you don’t believe me," says the stone,

"just ask the leaf, it will tell you the same.

Ask a drop of water, it will say what the leaf has said.

And, finally, ask a hair from your own head.

I am bursting with laughter, yes, laughter, vast laughter,

although I don’t know how to laugh.”


I knock at the stone’s front door.

"It’s only me, let me come in."

"I don’t have a door," says the stone.



[poema traduzido aqui]


25.3.15

24.3.15

Outro Tempo

Não há ninguém que contemple

O mais belo dos ocasos
Após um quarto de hora.

Portanto, amor, passo o tempo,
Até te ver, a escrever
Todo e qualquer disparate
Que à cabeça me vem.


W. H. Auden

serás uma árvore dormindo e acordando onde existe o meu sangue.


Jan Mankes, Row of Trees,1915

4.3.15

A sombra


A um dia assim como o de hoje costumo chamar, no meu calão, de poeta em férias, dia «incoincidente».
O céu desde manhã que se conserva azul com gradações cruas de quadro mau; as árvores escorrem verde e chilreios de pássaros; as ruas riscam-se da rapidez das sombras. (...)
Pois foi precisamente hoje - dia de sol, de andorinhas, de árvores azuis, etc. - que os homens resolveram não coincidir com a natureza.


José Gomes Ferreira



Minha alma é um cadáver pálido, desfeito.


As suas ossadas 
Quem sabe onde estão? 
Trago as mãos cruzadas, 
Pesam-me no peito. 
Quem sabe se a lama onde hoje me deito 
Dará flor aos vivos que dizem que não? 














[obrigada, querida Sónia]

25.2.15

La fin du monde | Gao Xingjian, 2006




                             – Estás a magoar-te? – perguntei a Fangfang.
                             – Gosto disto – respondeste em voz baixa.
                             Durante a nossa lua de mel, até a dor nos pés
                             era uma sensação de felicidade. E todas as desgraças
                             do mundo pareciam deslizar entre os nossos tornozelos.
                             Parecia que tínhamos voltado à infância, de pés descalços
                             como crianças a brincar na água.

                             [Uma Cana de Pesca para o Meu Avô, Gao Xingjian]


22.2.15

Azul


Vieira da Silva


Não é o vermelho a cor do arrebatamento, mas o azul. A época mais deslumbrante de Picasso foi chamada «azul»; a de Vieira da Silva também.

[Agustina Bessa-Luís, Longos Dias Têm Cem Anos, Presença de Vieira da Silva, Guimarães Ediores, p. 15]


19.2.15

7.2.15

Tractatus Logico-Philosophicus

1 The world is everything that is the case.

[...]

7 Whereof one cannot speak, thereof one must be silent.




unoverso

um poema que não nos tomasse
mais do que um único verso
que fecundasse essa noite
numa úmida e só palavra
numa única e só sílaba
menos do que isso

num arfar


[mallarmargens]



5.2.15

para ti, que me geraste.




A posse de ontem

Sei que perdi tantas coisas que não poderia contá-las e que essas perdas são agora o que é meu. Sei que perdi o amarelo e o preto e penso nessas impossíveis cores. Como não pensam os que vêem. O meu pai morreu e está sempre ao meu lado. Quando quero escandir versos de Swinburne, faço-o, dizem-me, com a voz dele. Só o que morreu é nosso, só é nosso o que perdemos. Ilíon passou, mas Ilíon perdura no hexágono que a chora. Israel aconteceu quando era uma antiga nostalgia. Todo o poema, com o tempo, é uma elegia. Nossas são as mulheres que nos deixaram, já não sujeitos à véspera, que é angustia e aos alarmes e terrores da esperança. Não há outros paraísos que não sejam paraísos perdidos. 

Os Conjurados

4.2.15

Artigo 1056º do Código Civil

Oiça, vizinha: o melhor
É combinarmos o modo
De acabar com este amor
Que me toma o tempo todo.

Passo os meus dias a vê-la
Bordar ao pé da sacada.
Não me tiro da janela,
Não leio, não faço nada…

0 seu trabalho é mais brando,
Não lhe prende o pensamento,
Vai conversando, bordando,
E acirrando o meu tormento…

0 meu não: abro um artigo
De lei, mas nunca o acabo,
Pois dou de cara consigo
E mando as leis ao diabo.

Ao diabo mando as leis
Com excepção dum artigo:
0 mil e cinquenta e seis…
Quer conhecê-lo? Eu lhe digo:

«Casamento é um contrato
Perpétuo». Este adjectivo
Transmuda o mais lindo pacto
No assunto mais repulsivo.

«Perpétuo». Repare bem
Que artigo cheio de puas.
Ainda se não fosse além
Duma semana, ou de duas…

Olhe: tivesse eu mandato
De legislar e poria:
Casamento é um contrato
Duma hora – até um dia…

Mas não tenho. É pois melhor
Combinarmos algum modo
De acabar com este amor
Que me toma o tempo todo.

[Augusto Gil no Estúdio Raposa]

3.2.15

Puras capelas, lágrimas mais puras.






six feet under


- “Porque é que as pessoas têm que morrer?”

– “Para que a vida se torne importante”.



2.2.15

letra

Cerne, caroço, coração da língua. Em seu âmago, é pele sobre o corpo. Matéria árida, resistente, indivisível. Nó: Imagem-visual-sonora-impulso-orgânico-morte-vidamatéria-traço-opaco-resto. Traço entre uma e outra palavra. Intervalo mínimo entre a ponta dos dedos e o objeto: toque, grão da voz, centelha do olhar. Litoral entre o traço singular e seu modelo: na abstração da letra A (inexistente), infinitizam-se grafias de pequenos a. A letra concernida no risco. Em sua intimidade de letra escrita – a –, há sua exterioridade indiscernível: A, modelo de todas as outras. Unidade indestrutível, Aleph. Nó: de fora para dentro, superfície; de dentro para fora, centro.

31.1.15

LOGIC, n. The art of thinking and reasoning in strict accordance with the limitations and incapacities of the human misunderstanding.



[Não acreditando em nada, só a lógica me fará acreditar em alguma coisa. Se quero que o mundo gire melhor? Muito. Se acredito? Falta(-me/lhe) a lógica.]


[...]

Y ahora voy a contarles brevemente la historia de cómo conseguí mi canción.

Yo era un guitarrista indiferente. Solo me sabía unos cuantos acordes. Me sentaba con mis amigos, bebía y cantaba, pero nunca me vi como un músico o un cantante. Un día, a principios de los años sesenta, estaba de visita en casa de mi madre. Su casa estaba cerca de un parque con una pista de tenis donde íbamos a ver jugar al baloncesto. Era un lugar que conocía de mi infancia. Me paseé por allí y encontré a un joven tocando una guitarra flamenca. Me encantó, estaba rodeado de algunas chicas y me senté a escucharlo, me cautivaba, yo quería tocar así, aunque sabía que nunca lo lograría.

Me acerqué a él y nos entendimos medio en francés medio en inglés y pactamos unas clases en casa de mi madre. Era un joven español. Al día siguiente se presentó. Me dijo: “Déjame escucharte tocar algo”. Lo hice y declaró que no tenía ni idea. Él cogió la guitarra, la afinó, me la devolvió y dijo: “No suena mal. Ahora tócala de nuevo”. No cambió mucho. La cogió otra vez y me dijo: “Te voy a enseñar unos acordes”. Tocó una secuencia rápida de acordes y luego me explicó dónde tenía que poner los dedos y me dijo otra vez: “Ahora toca”. Pero fue un desastre.

Al día siguiente, empezamos de nuevo con esos seis acordes. Muchas canciones flamencas se basan en ellos. Al tercer día la cosa mejoró. Aprendí los seis acordes. Al día siguiente el guitarrista no volvió por casa. Dejó de venir. Como yo tenía el número de la pensión donde se alojaba fui a buscarlo para ver que le había pasado. Allí me contaron que aquel español se había suicidado, que se había quitado la vida. Yo no sabía nada de él, de qué parte de España era, por qué estaba en Montreal, por qué estaba en la pista de tenis, por qué se había quitado la vida.

Sentí una enorme tristeza. Nunca antes había contado esto en público. Esos seis acordes, esa pauta de sonido, ha sido la base de todas mis canciones y de toda mi música y quizá ahora puedan comenzar a entender la magnitud del agradecimiento que tengo a este país. Todo lo que han encontrado favorable en mi obra viene de esta historia que les acabo de contar. Toda mi obra está inspirada por esta tierra. Así que gracias por celebrarla porque es suya, solo me han permitido poner mi firma al final de la última página. "


LEONARD COHEN, Premio Príncipe de Asturias de las Letras 2011.



29.1.15

Abandoned House




Galo Galo


Galo galo 
de alarmante crista, guerreiro, 
medieval. 

...

Galo: as penas que 
florescem da carne silenciosa 
e o duro bico e as unhas e o olho 
sem amor. Grave 
solidez. 


...

O galo permanece — apesar 
de todo o seu porte marcial — 
só, desamparado, 
num saguão do mundo. 
Pobre ave guerreira! 




A Pombinha da Mata


Três meninos na mata ouviram 
uma pombinha gemer.



"Eu acho que ela está com fome", 
disse o primeiro,
"e não tem nada para comer."



Três meninos na mata ouviram 
uma pombinha carpir.

"Eu acho que ela ficou presa",
disse o segundo,
"e não sabe como fugir."



Três meninos na mata ouviram
uma pombinha gemer.

"Eu acho que ela está com saudade",
disse o terceiro,
"e com certeza vai morrer."




28.1.15

última obra antes de morrer, toda ela amor

Prólogo a "Los conjurados", Jorge Luis Borges, 1985.

A nadie puede maravillar que el primero de los elementos, el fuego, no abunde en el libro de un hombre de ochenta y tantos años. Una reina, en la hora de su muerte, dice que es fuego y aire; yo suelo sentir que soy tierra, cansada tierra. Sigo, sin embargo, escribiendo. ¿Qué otra suerte me queda, qué otra hermosa suerte me queda? La dicha de escribir no se mide por las virtudes o flaquezas de la escritura. Toda obra humana es deleznable, afirma Carlyle, pero su ejecución no lo es.

No profeso ninguna estética. Cada obra confía a su escritor la forma que busca: el verso, la prosa, el estilo barroco o el llano. Las teorías pueden ser admirables estímulos (recordemos a Whitman) pero asimismo pueden engendrar monstruos o meras piezas de museo. Recordemos el monólogo interior de James Joyce o el sumamente incómodo Polifemo.

Al cabo de los años he observado que la belleza, como la felicidad, es frecuente. No pasa un día en que no estemos, un instante, en el paraíso. No hay poeta, por mediocre que sea, que no haya escrito el mejor verso de la literatura, pero también los más desdichados. La belleza no es privilegio de unos cuantos nombres ilustres. Sería muy raro que este libro, que abarca unas cuarenta composiciones, no atesorara una sola línea secreta, digna de acompañarte hasta el fin.

En este libro hay muchos sueños. Aclaro que fueron dones de la noche o, más precisamente, del alba, no ficciones deliberadas. Apenas si me he atrevido a agregar uno que otro rasgo circunstancial, de los que exige nuestro tiempo, a partir de Defoe.

Dicto este prólogo en una de mis patrias, Ginebra.
J.L.B.

26.1.15

«Antes de un viaje, cerrados los ojos, juntas las manos, abríamos al azar el atlas y dejábamos que las yemas de nuestros dedos adivinaran lo imposible: la aspereza de las montañas, la tersura del mar, la mágica protección de las islas. La realidad era un palimpsesto de la literatura, del arte y de los recuerdos de nuestra infancia, tan semejante en su soledad.»*







*Atlas, Jorge Luis Borges e María Kodama


El Idioma Analítico de John Wilkins

Esas ambigüedades, redundancias y deficiencias recuerdan las que el doctor Franz Kuhn atribuye a cierta enciclopedia china que se titula Emporio celestial de conocimientos benévolos. En sus remotas páginas está escrito que los animales se dividen en

(a) pertenecientes al Emperador, 
(b) embalsamados, 
(e) amaestrados, 
(d) lechones, 
(e) sirenas, 
(f) fabulosos, 
(g) perros sueltos, 
(h) incluidos en esta clasificación, 
(i) que se agitan como locos, 
(j) innumerables, 
(k) dibujados con un pincel finísimo de pelo de camello, 
(l) etcétera, 
(m) que acaban de romper el jarrón, 
(n) que de lejos parecen moscas.



25.1.15

O Último Leitor

Aviso todo aquele que escutar as palavras da mensagem profética deste livro: se alguém lhe acrescentar alguma coisa, Deus acrescentar-lhe-á as pragas aqui descritas. E se alguém tirar palavras deste livro de profecia, Deus tirar-lhe-á a sua parte da árvore da vida e da cidade santa, descritas neste livro. A redacção parece-lhe desajeitada, com repetições evitáveis; relê em silêncio e só então ergue o olhar. A terceira senhora fala-lhe dos riscos que a sua alma corre por andar modificar frases sagradas e expressa alguns argumentos que Lucio já não ouve; tem a cabeça na passagem bíblica. Qual a razão daquela advertência? Qual o motivo daquela mensagem que nenhum escritor se atreveria a dirigir ao seu editor? Nem sequer um poeta com o ego dilatado por um prémio Pavlov. Uma vírgula, um acento, e acabarei contigo, tirar-te-ei a árvore. Que feitio tem este autor da Bíblia, dizia para si. As senhoras proferem uma ameaça e saem do local. Lucio continua uns segundos absorto naqueles versículos. Retrocede uma página para ler o princípio do capítulo. Depois o anjo mostrou-me um rio de água da vida, transparente como um cristal... Transparente como um cristal?, questiona Lucio, não conhece símile mais vulgar, talvez o de alguns narradores nórdicos que falam em rostos brancos como a neve sem pensar nas pessoas do deserto que jamais viram nevar. Passa as páginas para trás até chegar ao primeiro capítulo do Génesis. No princípio Deus criou os céus e a terra. Abana a cabeça. Qual a necessidade de esclarecer que o princípio é o princípio? Risca as duas primeiras palavras e lê em voz alta: Deus criou os céus e a terra. Muito melhor, diz.

[O Último Leitor, David Toscana, Oficina do Livro, p. 145/146]
itálico meu, apenas para facilitar a leitura

24.1.15

«devolve-me o coração»

In the desert
I saw a creature, naked, bestial,
Who, squatting upon the ground,
Held his heart in his hands,
And ate of it.
I said, “Is it good, friend?”
“It is bitter—bitter,” he answered;

“But I like it
“Because it is bitter,
“And because it is my heart.”

[Stephen Crane, The Black Riders and Other Lines]

-//-

No deserto
vi uma criatura nua, brutal,
que de cócoras na terra
tinha o seu próprio coração
nas mãos, e comia...
Disse-lhe: «É bom, amigo?»
«É amargo -- respondeu --,
amargo, mas gosto
porque é amargo
e porque é o meu coração.»

[Herberto Helder, As Magias: Poemas Mudados Para Português, Assírio & Alvim, p. 35] 

23.1.15

The Fragility of Time



Breve o dia, breve o ano, breve tudo. 
Não tarda nada sermos. 


21.1.15

Funeral Blues

Stop all the clocks, cut off the telephone,
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.

Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message 'He is Dead'.
Put crepe bows round the white necks of the public doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.

He was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last forever: I was wrong.

The stars are not wanted now; put out every one,
Pack up the moon and dismantle the sun,
Pour away the ocean and sweep up the wood;
For nothing now can ever come to any good.


O Salva Vidas

Um lugar dentro deste bote não era muito diferente do que estar em cima de um cavalo bravo que, diga-se, não é muito mais pequeno. A embarcação erguia-se, empinava-se e lançava-se como um animal. À medida que cada onda se aproximava e ele se elevava, parecia um cavalo a saltar por cima de uma vedação altíssima. A maneira como se contorcia através destas paredes de água era algo místico e, para além disso, era por cima destas que se encontravam os problemas na água branca, a espuma que escorria com rapidez em cima de cada onda, exigindo um novo salto e um outro no ar.

[O Salva Vidas, Stephen Crane, Estrofes & Versos, p. 7]


16.1.15

15.1.15

efémero